Da Vitimização à Responsabilidade/ Poder

Na sociedade em que vivemos existe uma tendência para culpabilizar o exterior pelos “males” que sucedem nas nossas vidas.

Personificamos este exterior na família, nos amigos, nos relacionamentos, no cão, no gato, na prima, na tia, nas circunstâncias e tudo mais que esteja à mão. Mais do que uma tradição, é algo profundamente enraizado, arraigado mesmo em tantos de nós que estamos apostados em viver de um modo cada vez mais consciente.

Não querendo desresponsabilizar (desempoderar) cada um de nós, que ainda aponta para fora as causas dos seus percalços, há que ter uma palavra de apoio para quem o faz.

Podemos sempre melhorar!

Baseados nesta premissa, que além de ser uma frase de apoio é também uma expressão “trampolim”, pensemos: “ok, fui apanhad@ outra vez nesta esparrela, mas não é o número de vezes que caio que me define, antes a intenção com que me levanto”.

Este pensar é um bálsamo para quem acredita que errar é algo de pernicioso. Atentemos no que fazem os bebés antes de começar a andar. Caem, levantam-se, caem levantam-se, caem levantam-se as vezes que forem necessárias, eles simplesmente sabem que vão conseguir e estão em processo. Também nós podemos ter esta mesma humildade de saber que estamos em processo e a confiança de saber-nos capazes.

“Culpei outra vez alguém por isto” não há mal nenhum nisso, sabemos para onde nos dirigimos.

E para onde nos dirigimos? 

Essa é a grande questão.

Com as informações de desenvolvimento pessoal cada vez mais à mão de semear, com toda a tecnologia que nos permite aceder a variadíssimos recursos sabemos que temos nas nossas mãos a escolha.

Podemos escolher o velho paradigma de “aconteceu-me isto na vida porque…” (dá imenso jeito para preservar o ego, mas não é muito profícuo para a nossa felicidade) ou um novo paradigma de “eu facilitei isto na minha vida, eu co-criei esta situação com os meus pensamentos, palavras e ações”.

Quando remetemos para nós a responsabilidade sobre algo estamos também a remeter um potencial de força de atuação sobre o assunto. Ao contrário do que sucede quando somos vitimas e estamos numa posição frágil em que nada podemos fazer relativamente ao assunto.

Pensemos por exemplo nas nossas vidas, numa situação que não correu como gostaríamos. Há uma parte dessa situação que é da nossa inteira responsabilidade, que fomos nós que criámos e proporcionámos. Para que a situação tivesse ocorrido participámos, nem que tenha sido numa percentagem ínfima. Assumir essa parte em toda a sua integridade devolve-nos a força de saber que houve um contributo da nossa parte. Analisemos este nosso contributo.

Estar com a nossa contribuição para a situação de que não gostámos é assumir a nossa força e enraizar o poder pessoal que temos sobre a nossa vida.

Pelo contrário quem nada decide ou assume, a quem tudo lhe acontece tem tendência a infantilizar-se e desresponsabilizar-se sobre a sua vida, esta postura expropria a possibilidade de ação e força tão necessárias para assumir o comando do leme.

Podemos ser o capitão do navio da nossa vida ou (acreditar que somos) um mero passageiro a quem a vida “acontece”.

A vida acontece-nos ou nós acontecemos à vida?

Como sempre, e parafraseando um programa da minha infância: “Agora Escolha”.

Vais escrever o guião ou ficar a ver o filme? Por acaso até és @ personagem principal desse filme, do teu filme.

A cada instante a película está a ser criada. Como a vais criar?

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